Viagemterapia/Viajar

artigo publicado na Revista Saúde Total
E por que não? 

A viagem sempre foi um remédio empregado para corações partidos, restabelecimento da saúde, combater o estresse, aliviar angústias, amenizar depressões, combater o medo e a insegurança, reencontrar a autoestima, mudar de ares, descobrir novos interesses, iniciar novos desafios, comemorar os vencidos e se recuperar dos perdidos.

Viajar ainda é o melhor caminho para quem necessita de reciclagem e revitalização. O destino é o que menos importa, as opções são infinitas.

Também pode ser o melhor medicamento, a mais adequada terapia e a mais rápida recuperação que alguém pode experimentar.

Roteiros de charme, de aventura, esotéricos, gastronômicos, religiosos, da terceira idade, para solteiros, executivos, enfim, tem para todo mundo em todo o mundo.

E ainda, viajar é um dos melhores investimentos que alguém pode fazer para si mesmo. O indivíduo que viaja, sem dúvida alguma, tem a oportunidade de trazer, como souvenir, mais sabedoria, incrementar sua cultura, renovar seu espírito, aliviar a sua mente e abrir o seu coração. E, depois disto, volta à rotina com a motivação redobrada.

Mas, para tudo isto, é muito importante que o candidato a uma viagem prepare sua mente e espírito para tal aventura que é abrir-se para o novo e deixar em casa tudo o que ele é, pensa e faz.


Caso contrário, ele pode ter a sensação de que apenas comprou um cartão postal e não foi a lugar nenhum. Voltou para casa com os mesmos preconceitos, a mesma intolerância e a mesma estreiteza mental.

É o diferente que nos arranca da mediocridade.

Então, o segredo da viagem está em integrar-se. É perder-se pelas ruas, se misturar às pessoas, olhar para elas, tentar aprender algumas palavras, provar seus pratos típicos, reverenciar seus deuses, descobrir seus costumes, além de tentar saber o máximo sobre a história do lugar: Monumentos, heróis, música e lendas entregando o seu espírito àquele momento descobrindo, assim, novas maneiras de olhar a vida e o que existe ao redor dela.

Portanto, ao viajar, é importante conhecer outros mundos e outros costumes, sem comparações, definições, julgamentos, critérios, críticas, modismos, preconceitos e limitações.

É enxergar o diferente como uma rara oportunidade de enriquecer a própria vida.



“Nothing, above all, is comparable to the new life that a reflective person experiences when he observes a new country. Though I am still always myself, I believe I have been changed to the very marrow of my bones” Goethe, Reasons for Travel.

Uma vez, o escritor americano, Phil Cousineau, autor da biografia de Joseph Campbel, me contou que estava assistindo a uma palestra do mitólogo e que uma das pessoas da plateia lhe fez a seguinte pergunta: 

- “Professor Campbel, toda esta simbologia que o senhor descreve é muito interessante, mas nós sabemos que o mundo está virando um verdadeiro inferno. Voltando à realidade, na opinião do senhor, onde está a salvação do mundo?”

"Para Cynthia, companheira peregrina da estrada! (obrigada por sua linda carta). Phil Cousineau"

E Jospeph Campbel deu a resposta mais inesperada por todos aqueles que conheciam seu trabalho:

- “A salvação do mundo está no turismo, meu caro! Ou seja, a diferença entre os homens está na ignorância, por medo daquilo que ele não conhece, logo, não aceita e repudia. Ao viajarmos entramos em contato com o novo, com o diferente, ampliamos a nossa consciência e, naturalmente, passamos a respeitar e a aceitar as diferenças, concluindo que a riqueza de nosso mundo é formada justamente por esta variedade."