Copyright!

Olá amigo blogueiro!

Se quiser usar meus textos em seus blogs é necessário autorização prévia, já que possuem direitos autorais de copyright!

Se necessita de conteúdo em seu blog e necessita que alguém redija para você me contrate! Eu não sou careira!
abraços!

Denuncie! Plágio é crime:

https://www.espacoblog.com/2013/07/como-denunciar-plagio-ao-google.html

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Santa Lúcia!

por Gianni Carta
Versão original em inglês

Uma Kombi caindo aos pedaços não é definitivamente o veículo apropriado para levar os hóspedes do aeroporto para Anse Chastanet, um hotel de cinco estrelas na costa oeste de Santa LúciaApós uma hora suportando o ar quente e úmido da esburacada estrada chegamos em Soufrière, vilarejo dessa exuberante ilha do Caribe


A partir daí as condições da estrada pioraram: à nossa frente jaz a mãe da mais vertical das ladeiras da Terra. O motorista engata uma primeira e mantém essa marcha durante todo o percurso. Suando profusamente, considerei pela primeira vez que um 4X4 não é somente um capricho: algumas vezes é essencial para a sobrevivência.

A velha Kombi sem ar condicionado faz, é claro, parte do charme. O motorista, um amigável negro de 50 e poucos anos nos contava, orgulhoso, sobre a lha, seus 150.000 habitantes ("somos pessoas alegres") e sua principal fonte de renda: bananas. Buzinava antes das curvas, quando não havia visibilidade. Acenava para as pessoas sentadas languidamente diante de ocasionais pequenas casas de madeira que deixávamos para trás. Os conterrâneos, sorriso nos lábios, acenavam de volta. Os locais, observei, pareciam fazer tudo em câmera lenta - seria o calor a afetá-los?

Paramos em frente a uma sorridente negra com um colorido vestido de Madras, traje nacional de Santa Lúcia feito de algodão e com origens na Índia. "Estamos em Anse Chastanet", anuncia o motorista. A mulher nos oferece limonada com gelo e nos guia até a recepção do hotel. Avistamos as duas Pítons, elevações vulcânicas que dominam o cenário. Elas emergem do mar caribenho e desaparecem na névoa.

Torna-se compreensível  o motivo pelo qual Ridley Scott, o diretor britânico em cujos filmes não escasseiam cenários envoltos em brumas, se hospeda aqui todos os anos. Harrison Ford, que atuou como Deckard no clássico filme Blade Runner (de Scott), também costuma descansar neste hotel. Essa antiga fazenda colonial francesa seria um ótimo cenário para os próximos Caçadores da Arca Perdida.

Após o check-in a recepcionista nos mostra o bar e o restaurante. Ela avisa que para chegar ao Trou du Diable, um dos dois restaurantes, é preciso descer (ou subir) 100 degraus. Fica na praia com areia vulcânica cinza e águas cristalinas. No Trou du Diable os hóspedes almoçam e curtem as festas animadas por bandas locais todas as noites. Em minha primeira descida até a praia, entendi o motivo que levou um hóspede a alcunhar a experiência de Stairway to Heaven, título da música da banda de rock Led Zeppelin. 



Mas onde está o hotel? 

São 49 bangalôs. Daqueles mais acima das colinas a vista, é óbvio, é melhor. O bangalô 7F é supostamente o mais luxuoso. Ficamos de queixo-caído quando adentramos o loft - um loft de selva!
Muito espaço e escassa mobília. É o minimalismo por excelência: há somente um único sofá de madeira rústica com um confortável estofamento em tecido de Madras. Duas paredes inteiras foram derrubadas, e, assim, de qualquer lado do loft vemos as duas imponentes Pítons . Dois quadros em estilo primitivo a retratar mulheres locais da artista alemã Elvira Bach adornam as duas únicas paredes. Do chuveiro, com uma parede a menos, você aprecia a selva.



Não há televisão, fax, telefone e nem rádio. A ideia é se desconectar do mundo. O que, devo admitir, não é tarefa fácil. Eis algumas questões inquietantes que me fiz no primeiro dia: O que farei para ver meus e-mails, ou ainda - como anda a CAC40? Não é fácil se desconectar. Você se sente um alcoólatra privado de um drinque. Mas é impossível ganhar uma queda de braço com a natureza; você inevitavelmente apreciará o pôr-do-sol, a graça dos beija-flores que não têm medo de você; lagartos se tornam familiares... 

Há uma perfeita harmonia entre a arquitetura concebida por Nick Troubetzkoy, o russo-canadense proprietário do Anse Chastanet e a natureza. De fato, assim como você, tudo gravita em torno da natureza. Trata-se, em outras palavras, de um processo de adaptação. Deixo aqui um conselho: se você não consegue viver sem certos confortos da cidade, melhor não vir para esse paraíso.

Por exemplo, não há ar condicionado - em parte alguma. Há um ventilador pendurado no teto ligado em velocidade máxima o tempo todo. Uma brisa agradável acaricia a colina durante a noite. E o mar do Caribe tem uma temperatura prazerosa a qualquer momento. Eu particularmente apreciei um mergulho durante a noite. 

Um aspecto negativo é a caterva de mosquitos. No entanto, você recebe algumas dicas sobre como enfrentá-los. 1. Antes do jantar coloque o mosquiteiro sobre a cama. 2. Borrife inseticida em abundância dentro do mosquiteiro. Funciona.

Não esqueça que a área é montanhosa. Se você não gosta de se exercitar, esqueça Anse Chastanet. Considere todos os 100 degraus até a praia e pense novamente. Talvez a escadaria para o paraíso não seja para você.



"Sempre digo que aqui não é lugar para qualquer um", me disse há alguns anos Karolin Troubetskoy, a eloquente mulher do gerente geral do hotel. "Deficientes físicos e cardíacos não irão gostar daqui."

À época, a estrada de Soufrière estava toda esburacada. Perguntei se ela ia repará-la. "Claro que não. A ideia é tornar a vida mais difícil para aqueles que apenas querem vir passar o dia."

Primeira lição: Não venha para este paraíso apenas para dar um rápido mergulho. Mais tarde percebi o real motivo por trás da estrada acidentada: estava sorvendo um Bloody Mary na praia quando um parrudo local - em forma física mais do que adequada para subir a mais vertical colina da Terra e andar por mais 40 minutos para chegar ao hotel -, pediu dinheiro para mim e mais outros dois hóspedes; ele foi rapidamente dispensado por um homem que se dizia o policial do hotel. Policial do hotel?


A vasta maioria das pessoas que vêm ao Anse Chastanet são casais em lua de mel. Mas há também os individualistas, amantes da natureza, casais românticos de meia-idade. Todos atingem o mesmo objetivo: relaxam. O hotel oferece gratuitamente equipamento para mergulho livre, caiaques, aulas de windsurfe e de vela. Diariamente são também oferecidos cursos de mergulho.


Aderi ao caiaque e ao mergulho livre. Navegar de caiaque até Anse Mamim, uma praia de Anse Chastanet, foi divertido. Uma vez na praia, às 13h45 participei do tour para ver uma plantação de cana-de-açúcar do século XVIII. O mergulho livre é sensacional. Passei em meio a surpreendentes corais e recifes, e vi uma tartaruga ziguezagueando ao meu redor em alta velocidade. Não imaginava que elas pudessem nadar tão rápido.



Você não precisa ser um aventureiro em Anse Chastanet. Algumas pessoas vão até a praia, relaxam sob o sol, comem e bebem. Mas acredito que ir até a ilha exótica somente para se bronzear não é a melhor escolha. É mais aconselhável ficar em uma piscina. Santa Lúcia é uma ilha para ser explorada e tem uma história fascinante.



Um pouco de história:

Antes de os europeus chegarem por aqui, Santa Lúcia era habitada pelos arawaks e mais tarde pelos caribes. Existe um debate se foi Colombo ou Juan de la Cosa quem descobriu a ilha. De qualquer forma, sabe-se que 67 ingleses, em rota para a Guiana, tiveram o azar de parar por aqui em 1605: os caribes, que eram canibais, comeram 48 deles. Durante dois séculos os franceses e britânicos brigaram entre si pela conquista da pequena ilha. Em 1815 os britânicos venceram a disputa, e em 1979 a ilha passou a integrar de forma independente a Comunidade Britânica. O inglês é ensinado nas escolas apesar de o patoá, dialeto francês, ainda ser o idioma preferido entre os nativos. Falo francês fluentemente, mas não consegui entender muita coisa em patoá.



Passeios:

Visite as piscinas de águas sulfurosas na zona vulcânica em Soufrière. A Kombi leva grupos de hóspedes algumas vezes ao dia.

Não perca o passeio Selva Tropical, ou Jungle Tour

Visite o mercado em Castries, na capital, onde são vendidas estátuas de madeira e bijuterias feitas por nativos. O porto, reconstruído em 1948 depois de um incêndio, não é bonito, mas vale a pena visitar. A catedral, erguida pelos franceses no século XIX, é interessante.

Para o Gourmet:

Hummingbird Beach Resort, Soufrière. Situado em um esplêndido jardim com vista para o mar. Especialidade pratos franceses creole.

The Charthouse, em Rodney Bay. Comida honesta. Lagostas frescas trazidas diariamente pelos pescadores. Excelentes vinhos e charutos cubanos.

Le Creole, em Rodney Bay. Cozinha da Martinica. Carne de tubarão e frutos do mar são as especialidades. É possível apreciar o único aquário de lagostas da ilha. Escolha a tua peça com molho picante.

[Baseado em Paris, Gianni Carta é cientista político e correspondente na Europa e Oriente Médio do semanário Carta Capital. Seu último livro é Garibaldi na América do Sul: o mito do gaúcho (Boitempo: São Paulo, 2013, 296 págs.)].

Créditos fotográficos: Hotel Anse Chastanet
http://www.ansechastanet.com/

Versão original em inglês

ANSE CHASTANET

Gianni Carta


The beat up VW van is definitely not the appropriate vehicle to take guests from the airport to Anse Chastanet, a five-star hotel on Santa Lucia’s west coast. After one hour enduring the hot and humid air and the dilapidated road we arrive in Soufrière, the oldest village of this exuberant Caribbean island. From there the road conditions get worse: the mother of all the steepest hills on Earth lies ahead. The driver has to go on first gear all the way. Sweating even more profusely, I realize for the first time that 4X4s are not just a trend: they can sometimes be essential for survival.

The ancient van without air conditioning is, of course, part of the charm. The driver, an amiable black man in his early 50s talks with pride about the island, its 150,000 inhabitants ("we are happy people") and their main source of income: bananas. He honks often before curves, when there’s no visibility. He waves at people who sit languidly in front of the small wooden houses that we occasionally drive by. They wave back, always with a smile. The locals, I notice, seem to do everything in slow motion - is it the heat that has that effect on people?

We stop in front of a large black woman wearing a Madras dress. "We are in Anse Chastanet," announces the driver. The woman offers us two glasses of lemon juice with ice and guides us to the reception. From there we see the two Pitons, the volcanic elevations that dominate the scenery. They emerge from the Caribbean Sea and disappear in the mist.


One understands why Ridley Scott, the English film director who thrives on mists, is a guest here every year. Harrison Ford, who plays Deckard in Blade Runner, also is known to rest in Anse Chastanet. This ex-colonial French farm would be a great setting for the next Raiders of the Lost Arc.


After checking-in the receptionist shows us the bar and the restaurant. She tells us that the Trou du Diable, the second restaurant, is 100 steps down, at the beach with gray volcanic sand and crystal clear water. That’s where the guests have lunch and enjoy the parties with local bands every other night. Having made it to the beach the first time, we understood why a previous visitor had said that it was the ‘stairway to heaven’.


But where is the hotel?


There are 49 bungalows: the higher they are on the hills the better the view is. Number 7F is supposed to be the best one. Our jaws drop when we see it. It is a jungle loft. There is lots of space and sparse furniture. It is minimalism at its best: there’s only one rustic wooden couch with comfortable Madras upholstery. Two entire walls are missing; from anywhere in the room you see the two imposing Pitons. Large naifs portraying local women by the German artist Elvira Bach adorn the only two walls. From the shower - with a wall missing - you can enjoy the jungle vista.

There is no television, fax, telephone, radio. The idea is to disconnect from the world. Which, I must admit, was not easy to do. Here are some questions I nervously asked myself on the first day. How am I going to find out whether I got Internet mail? How’s the CAC40 doing? It is not easy to disconnect. You feel like an alcoholic deprived of drink. But there’s no point in arm-wrestling with nature; you’ll inevitably appreciate sunsets, see beauty in hummingbirds that are unafraid of you; lizards will become acquaintances...


There is a perfect harmony between the architecture conceived by Nick Troubetzkoy, the Russian/Canadian owner of Anse Chastanet, and nature. In fact, everything gravitates around nature. And so do you. It is, in other words, a process of adaptation. But here’s a piece of advice: if you cannot live without certain city treats don’t even consider coming here. 

For instance, there is no air conditioning - anywhere. There is a fan hanging from the ceiling in every room that should be left on all the time. A nice breeze from the sea caresses the hills in the evening. And the Caribbean Sea’s temperature is pleasant at any time. I particularly enjoyed swimming at night.


Another negative aspect: mosquitoes abound. But you receive lessons on how to cope with them: 1. Before dinner set the mosquito net over the bed; 2. Fire as much insecticide as you can inside the mosquito net. It works.


Don’t forget that this is a very hilly area. So if you are not into exercising forget Anse Chastanet. Consider all those 100 steps to the beach and think again. Stairway to heaven may not be for you. 

"I always say this is not a place for anyone," says Karolin Troubetskoy, Nick’s eloquent wife and Anse Chastanet’s general manager. "Handicapped people and those with heart problems will not enjoy it here." 


I ask her if the road from Soufrière to the hotel will be repaired. 

"Of course not. The idea is to make life harder for those who just want to come here for the day." 

Lesson taken: don’t come to paradise just for a quick plunge into the sea. (Later I understood the real reason behind the bad road: I was sipping Bloody Mary on the beach when a local - who was fit enough to go up the steepest hill on Earth and walk 40 minutes after that - asked me and two other guests for money; he was quickly sent away by a man who turned out to be a 'hotel cop'. Hotel cop?)


The majority of the people who come to Anse Chastanet are honeymooners. But there are also individualists, nature lovers and romantic middle-aged couples. They all end up doing the same: lots of relaxation. The hotel offers, free of charge, equipment for snorkeling, kayaks, wind surfing and sailing lessons (you should tip the instructors). Daily and weekly diving courses are offered.


I stuck to kayaking and snorkeling. Kayaking to Anse Mamin, a beach that is part of Anse Chastanet, was fun. There, at 1.45pm, I took the tour to see an 18th century sugar cane plantation. The snorkeling was superb. I went through amazing reefs and saw a turtle swim past me with incredible speed. I never thought they could go so fast.



You don’t have to be adventurous at Anse Chastanet. Some people just go to the beach and get some sun, eat and drink. But my view is that there is no point going to an exotic island just to work on your tan. Why not go to a good swimming pool then? Saint Lucia is an island to be explored and it has a fascinating history.







Here’s a bit of history:



Before the Europeans arrived here, Saint Lucia was inhabited by the Arawaks and later by the Caraibs. There is a debate as to whether it was Columbus or Juan de la Cosa who discovered the island. It is known, however, that 67 English people, en route to the Guyanas, were unlucky to stop here in 1605: the Caraibs, who were cannibals, ate 48 of them. 

In the next two centuries the French and the English fought between themselves for the tiny island. In 1815 the English won the dispute. And in 1979 the island became and independent member of the British Community. English is taught in schools. However, patois, a French dialect, is still the favorite language among the natives. I speak decent French but could understand very little patois.



Things to do:



Visit the sulphuric-water baths next to the volcanic zone of Soufrière. The VW van will take groups of guests there at different times of the day.



Be sure to take the tropical jungle tour.



Go to the market in Castries, the capital, for wooden statues and Saint Lucian jewelry. The port, rebuilt in 1948, after a fire, is not beautiful but worth seeing. The Cathedral, erected by the French in the 19th century, is interesting.

For the gourmet:

Hummingbird Beach Resort, Soufriere. Situated in a splendid garden overlooking the sea. French creole food.

The Charthouse. Rodney Bay. Honest food. Fresh lobster brought daily by local fishermen. Great wine list and Cuban cigars.

Le Creole. Rodney Bay. Martinican roots. Shark and seafood are specialties. They have the only lobster aquarium in the island. Choose one and ask for a hot sauce.


 photos: Hotel Anse Chastanet

Você gostou desse artigo?

Inscreva-se e receba notícias, dicas, promoções e muito mais!

Cynthia Camargo é publicitária, agente de viagens, agente internacional e jornalista. Coordena viagens de arte, gastronômicas, de luxo e de incentivo pelo o mundo! Especializada no destino França, é autora do guia Paris Legal, editado pela Best Seller. Trabalha com o turismo de conteúdo há 20 anos e recebeu o prêmio Mulher Influente. Autora do blog de viagens SendoCy, conta suas experiências pelo mundo com dicas e muito humor! Acesse, leia e participe, se inscreva e conte suas histórias! Afinal, todo mundo tem uma história de viagem para contar! Google +