quarta-feira, 16 de julho de 2014

Montmartre para os íntimos!

Eis que tive a sorte de fazer um tour, a pé, com uma nativa. 

Uma Amélie Poulain autêntica, que vive e respira Montmartre sua vida toda, conhece a vizinhança e cumprimenta as pessoas na rua.


Aí sim, uma imersão absoluta ao lado íntimo e, extremamente, aconchegante do bairro que, incrivelmente, tem ruas tranquilas e arborizadas, muito longe do burburinho de seu lado turístico.

Montmartre quer dizer (Monte do Mártir). 

O nome se dá por duas razões:
A primeira é que, provavelmente, o nome seja em homenagem aos mártires cristãos que foram mortos no local, no ano 250

Mas há outra razão para o nome, segundo os guias de turismo, que é sobre Saint Dennis: Dizem que ele foi degolado, pegou sua própria cabeça e saiu andando. Existe até uma praça com a estátua do santo segurando a sua téte.


Seja de que forma for, o bairro foi ponto de encontro de grandes talentos como Dégas, Cézanne, Monet, Van Gogh, Renoir, Toulouse Lautrec por conta de sua animada vida noturna e mais alguma coisa misteriosa, que tentaremos descobrir...

Les Fusains - Moradia de vários artistas do passado até os dias de hoje


Montmartre somente foi anexada a Paris, em 1860. Antes disto era uma vila.


Geralmente o turista é apresentado à Montmartre pela rua desde a estação do metrô Abbesses ou Anvers até o famoso funiculaire. 


Pega o bondinho, desembarca em frente a Sacre Coeur, contorna a esquerda e cai na Place de Tertres, n´est-ce pas

A primeira visão que temos de Montmartre é o que a foto abaixo mostra:


Só que não. Montmartre não é isto, ou, só isto. Vamos subir pelo outro lado?


Descendo na estação Lamarck Caulaincourt do metrô, pegaremos a rue Caulaincourt. Primeira escadaria conquistada, encontramos a bucólica avenue Junot, onde todo o cenário muda e é possível começar a intuir o que, de fato, é Montmartre: Un petit village.


Sim, as pessoas se conhecem nesta pequena vila e se cumprimentam pelo nome! Morar em Montmartre é um estilo de vida que não tem nada a ver com o de Paris. Os locais costumam dizer, até nos dias de hoje, que irão descer a Paris, quando saem do bairro...

A foto abaixo pode descrever bem o sossego local. Aqui é um excelente lugar para uma pausa, um dos melhores cafés da manhã, além do concorrido brunch de final de semana, o Marcel pode ser apreciado em todo o seu charme local!



E esta vila na esquina do restaurante? Villa Léandre é um colírio para os olhos e é capaz de arrancar suspiros... 

Nossa anfitriã nos conta desta casa, das mais caras para se viver em Paris, mas que, mesmo assim, seus proprietários não se deslumbram e nem sonham em vender...


Anne (nossa Amélie) me contou que encontrou a proprietária desta casa, que vive ali desde 1947. Ela dizia a Anne que não sabia cuidar desta linda glicínia até uma viagem que fez à Florença, onde aprendeu a cultivá-la. 

Desde então, ela cresce feliz e, mesmo tendo passado a sua receita de sucesso aos vizinhos, é a única que segue firme e forte. Aí está o valor que estas pessoas dão a certas questões...



Seguindo com o passeio passamos pelo famoso Ciné 13, antigo foi cinema para pré-estreias e hoje, um teatro.


E o que há por trás deste portão? Uma pequena vila formada por casas e apartamentos. 

Aí dentro há ruelas minúsculas e estreitas onde galinhas vivem soltas... Sem, absolutamente perder seu charme, glamour e elegância...



Para que os residentes desfrutem de total privacidade (famosos residem aqui), nem ao menos seus nomes são divulgados na caixa de correio e campainha. 

Sim, eles utilizam nomes de celebridades falecidas no interfone....Veja só:
Você gostou? 
Pois saiba que há casas e apartamentos para alugar e vender neste pedacinho de paraíso e o que é melhor, encostado em Paris! 

Sim, aqui o valor do metro quadrado pode chegar a 14 mil euros e uma casa de 250 metros quadrados pode ser sua por mais ou menos R$ 10 milhões (bem mais em conta que Ipanema). 


Mas há casas menores, tão ou mais aconchegantes, do que esta. Ao final deste post há um link de um imóvel que está para alugar neste condomínio. Curtas ou longas temporadas.




Ao final desta rua chegamos ao célebre Moulin de la Galette! Por que célebre?
Moinho construído em 1612 junto a outros 12, ele é um dos dois únicos que restaram. 

O moinho servia uma espécie de broa (galette em francês) com um copo de leite. Logo, ficou conhecido como o Moinho da Broa (Moulin de la Galette).




Após as Guerras Napoleônicas, os donos substituíram o leite por vinho e passaram a dar bailes que atraíam artistas como Lautrec, Renoir, Picasso... 

Todos estes artistas têm suas versões dos famosos bailes em suas telas, sendo a mais famosa a de Renoir - Le Bal du Moulin de la Galette.


Há várias outras histórias, como a de um dos donos ter sido pregado a uma das pás durante a guerra...


O escritor Marcel Aymé nos conta, em seu romance, sobre um homem que vivia em Montmartre e que tinha o dom de atravessar muros, criando a lenda do "passe-muraille", o atravessador de muros.

Passe-Muraille


Esta estátua foi construída em homenagem ao personagem e localizada na praça que leva o nome de seu criador: Marcel Aymé.


Esta é a pequena rue Girardon



O beco estreito, na foto abaixo, que conecta a rua Girardon à rue Simon-Dereure, é visitado por nostálgicos da velha Montmartre.

Allée des Brouillards
No século XII havia muita névoa por aqui e o nome Brouillards (vapores) se deve ao fato de que quando o vapor d´água, que emanava de diversas fontes locais, entrava em contato com o ar fresco cobria a paisagem de névoa.

Aqui existia um moinho. Em 1772, foi adquirido por um Marquês que o transformou em um chateau: Chateau de Brouillards. Famoso por várias e várias festas de arromba.

Durante muitos anos este beco se tornou perigoso e foi fechado voltando a abrir ao público somente em 1929. 

Se pensarmos bem, por que tantos artistas, mais do que geniais, como Renoir, Van Gogh, Picasso, Lautrec e tantos outros viviam por aqui? 

Casa de artistas é o que não falta, como o Hameau des Artistes e o Les Fusains...Você é um artista? Então, pode se inscrever para alugar um ateliê na Cité des Artistes.


Escondido em um jardim, quase selvagem, no coração de Montmartre, ninguém imagina que exista um local como este, um verdadeiro centro cultural e artístico. 

As casas charmosas são emolduradas por pequenas ruelas, com 32 ateliês, onde o artista pode morar e trabalhar por até um ano. 


E, é claro, o valor do aluguel é baixíssimo. Para quem quiser se candidatar, basta enviar uma carta para a Citè Internacional des Arts e torcer...
Dalida foi uma cantora que também adorava Montmatre. Cometeu suicídio no apartamento onde vivia. Em sua homenagem, esta praça leva o seu nome.


Outra rua, de tirar o fôlego, com suas casinhas tiradas de contos é a rue Abreuvoir

Abreuvoir termina onde começa a outra mais encantadora ainda: rue Saint-Vincent
Maison Rose, imortalizada por Utrillo

E então chegamos ao restaurante Au Lapin Agille, 22 rue de Saules, com mais uma história curiosa:


Considerado o cabaret mais antigo de Paris (aberto em 1855), já teve outro nome como Cabaret dos Assassinos (pois o filho do dono foi assassinado).


A especialidade da casa era coelho "Lapin sauté a la casserole". Em 1875, o pintor André Gill, desenhou, o que seria para ele, um coelho saltando de uma panela, batizando o seu desenho como Lapin a Gill (o coelho do Gill). Rapidamente um trocadilho tomou conta do desenho batizando o cabaret de Au Lapin Agille (ágil).



Em Montmatre tem até vinhedo. Isto para demonstrar como o ar do local é bom! O vinho é vendido. Dizem que é bem "mais ou menos", mas não é dos mais baratos.


Ao iniciarmos nosso tour, passamos por duas senhorinhas idênticas que cumprimentaram a Anne. Ela então me conta a história destas senhoras que vivem na casa abaixo:

Fachada da casa das gêmeas

Nesta casa moram as irmãs gêmeas que, aos 80 anos de idade, nunca saíram do bairro. Viveram a vida toda nesta casa desde que nasceram. Saem todas as manhãs para ir à missa e a boulangerie ou mercadinho. 

Gente, Montmartre deve ser muito bom...
Você imaginava esta calma de um jardim atrás da Basílica de Sacre CoeurSquare de la Turlure
Começando a descida..
Rue Bonne, próximo deste local os locais jogam Pétanque (uma espécie de Bocha)


Que tal passar uns dias por aqui? Alugando um apartamento e vivendo como o pessoal do bairro? 


E uma selfie na parte turística de Montmatre só para contrastar...a dois passos você pode matar a saudade do agito.

Você pode alugar ou comprar um apartamento com a nossa Amélie Poulain verdadeira 

pelo www.private-homes.com

E aqui, um link para checar uma casa que está para alugar no local:  

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Cynthia Camargo é publicitária, agente de viagens, agente internacional e jornalista. Coordena viagens de arte, gastronômicas, de luxo e de incentivo pelo o mundo! Especializada no destino França, é autora do guia Paris Legal, editado pela Best Seller. Trabalha com o turismo de conteúdo há 20 anos e recebeu o prêmio Mulher Influente. Autora do blog de viagens SendoCy, conta suas experiências pelo mundo com dicas e muito humor! Acesse, leia e participe, se inscreva e conte suas histórias! Afinal, todo mundo tem uma história de viagem para contar! Google +