domingo, 15 de janeiro de 2017

A Síndrome de Paris


Por ter sido uma vez Lutèce e por ter-se transformado em Paris... O que poderia ser um símbolo mais esplendoroso? Ter sido lama e ter-se transformado em espírito.” Victor Hugo.

É bom saber que nem tudo é perfeito e que este tipo de ilusão pode causar uma síndrome que acomete, sobretudo, os japoneses. Chamada de Síndrome de Paris provoca alucinações, sensação de perseguição, taquicardia, suor excessivo, despersonalização. 


O turista constrói uma imagem de Paris baseado em fotos perfeitas, homens e mulheres elegantes e felizes onde tudo parece ser uma espécie de Jardim do Éden e, ao chegar a Paris e perceber que nem todo parisiense é elegante, feliz e gentil e ainda sentindo certos odores, bem diferentes aos perfumes franceses, entram em choque e chegam a ser hospitalizados. Obviamente, como toda cidade grande, há contrastes entre o belo e o feio, entre o divino e o profano, entre a elegância e a vulgaridade, entre o sublime e o grotesco.

Há, em alguns momentos, choques culturais.  É necessário ter em mente que Paris não é a cidade mais limpa do mundo, nem o parisiense é o cara mais simpático do mundo, apesar da cortesia. Consciente disto ficará longe da tal síndrome.

Como toda grande metrópole muita gente mora nas ruas, há uma vigilância extrema por conta dos ataques terroristas, Paris sofre com as elevações do rio Sena de tempos em tempos, há uma equação a ser resolvida com relação ao número crescente de imigrantes e durante o verão idosos morrem desidratados. Não é raro cruzar com pessoas que falam sozinhas e até mesmo discursam enquanto vagam sem rumo. Tudo isto faz parte de sua personalidade marcante.

#paris vivências

Como cidade mais visitada do mundo, às vezes, quando você está para registrar a melhor foto de sua vida, dois mil chineses surgem do nada e saem na foto ocultando o monumento! Tocando na questão do turismo há pessoas de todas as crenças, religiões, classes sociais, culturais e econômicas sendo necessário um exercício de tolerância, além de procurar entender como cada uma destas pessoas funciona.

Italianos falam alto e gesticulam (até aí você se sente em casa, apesar do francês ficar absolutamente aterrorizado com isto), os japoneses pedem para tirar foto com você (?), ingleses e alemães são discretos fazendo o possível para se tornarem invisíveis, já os americanos pensam que estão na Disney.

Ah gente, é divertido e não pensem vocês que os brasileiros são os normais desta história. Brasileiro tem de todo tipo, veja se reconhece ou se identifica com algum destes:

#deslumbrado 😍 - Selfie com emoticons top top top top! Passa o dia tirando selfies.  Não “tô” criticando, tá? Também faço!!  Somente não se esqueça de que a atração principal é Paris e não a selfie perfeita!
#folgado 😎 - Arranca flores do jardim para guardar em um livro qualquer, tira fotos onde é proibido, fala alto, fura filas e não cumprimenta os funcionários do hotel. Você já cruzou com algum?
#esnobe 😒 - Ele sabe tudo, visitou tudo, conhece o melhor restaurante, comeu a melhor comida, tomou o vinho mais caro do mundo, fez a melhor compra e as fotos dele são as melhores. Ele diz não frequentar pontos turísticos porque não suporta turista, apesar de ser um deles.
#neurótico 😣 - Louvre express para correr para a fila da Torre Eiffel. Notre-Dame a jato para voltar à fila da Louis Vuitton. Degustar o vinho? Não dá tempo, tem a lista da vizinha para checar... Ao sair do hotel precisa ir ao banheiro, imediatamente. Depois de duas horas do café da manhã precisa almoçar, imediatamente. Logo após sair do restaurante do almoço necessita, desesperadamente, ir ao banheiro.
#sem noção 🙈 - Ele crê ser o convidado de honra do chefe de estado. Imagina que os franceses nasceram para serví-lo. É aquele que usa a frase: “Tô pagando”! Ele não foi lá para aprender nada. Foi porque é legal dizer que foi. 👊👊
#afrancesado 😷 - Du coup...”[1]* Imita todos os costumes incluindo, até mesmo, tiques nervosos dos parisienses!
#expatriado K - Em geral, ao menos os que eu conheço, são muito simpáticos, solícitos, animados, mas já vi muitos que não se consideram brasileiros, falam uma parte em português e outra parte em francês e costumam ter mais sotaque do que o próprio nativo. Não gostam de turistas, gente em geral e, ora vejam, detestam seus conterrâneos. 
#hipocondríaco 😱 - Não come queijos porque sofre de intolerância a lactose. Não come croissant porque tem alergia a glúten. Não pega o Bateau Mouche porque o vento causa-lhe inflamação na garganta. Não pega o metrô porque sofre de rinite alérgica. Sai do hotel com chapéu, filtro solar 50, álcool gel, analgésicos, pastilhas para o estômago, sal de fruta, Nebacetin e Salompas.
#felizardo 😪 - Está sempre animado, alegre, festivo, sorrindo, curtindo, provando, grato e amigável. Todas as suas hashtags são #gratidão. 

Percebido isto, que de perto ninguém é normal, podemos explorar e desfrutar das diferenças.

#paris vivências




[1] Du coup é uma expressão usada por gente “in” que quer dizer algo como: “então”, ou do inglês “so”.

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Cynthia Camargo é publicitária, agente de viagens, agente internacional e jornalista. Coordena viagens de arte, gastronômicas, de luxo e de incentivo pelo o mundo! Especializada no destino França, é autora do guia Paris Legal, editado pela Best Seller. Trabalha com o turismo de conteúdo há 20 anos e recebeu o prêmio Mulher Influente. Autora do blog de viagens SendoCy, conta suas experiências pelo mundo com dicas e muito humor! Acesse, leia e participe, se inscreva e conte suas histórias! Afinal, todo mundo tem uma história de viagem para contar! Google +