sábado, 17 de fevereiro de 2018

Dica Furada - parte I - A era da desprofissionalização, desqualificação e desserviço!

É com pesar e um pouco de receio que observo a onda de desqualificação de profissionais.

Percebo, hoje em dia, uma total banalização de qualquer tipo de profissional: sim, médicos, engenheiros, arquitetos, publicitários, jornalistas, agentes de viagem, autores de conteúdo,etc.


Não sou nada contra a outras formas de comércio, de trocas, de negociações e fui absolutamente a favor do Uber para a quebra dos cartéis de Táxi, apesar de ter que admitir que muitos motoristas que eu pego, através do Uber, não sabem circular pela cidade. Mas é o preço que se paga pela livre negociação. Ok! É uma escolha minha pegar um taxista que sabe tudo ou orientar o motorista do Uber para onde quero ir. Isto não implica nenhuma forma de grandes prejuízos. É somente uma escolha em ter um serviço mais em conta (o que tem mudado bastante, já que muitas vezes o 99 Táxi me passa uma tarifa mais barata do que o Uber).

Por outro lado, há coisas  mais sérias do que a escolha do meu motorista, como médicos, por exemplo: há grupos no Facebook de gente que está com problemas sérios de saúde, mas pede dicas de chá e de tratamentos com água modificada para estranhos e leigos dentro de um grupo. Preferem confiar em estranhos, não médicos, a se consultar e tomar um remédio. 

Pessoas buscam quem possa fazer sua casa sem ser um arquiteto, quem possa lhe curar sem ser um médico, quem pode montar sua viagem sem ser um agente, preferem acreditar que não é necessário documentação para entrar em um país, baseado na experiência pessoal de um estranho na internet, compartilham fake news sem questionar, seguem conteúdos não assinados somente porque tem uma aparência parecida com um site verdadeiro de notícias, qualquer um cria um blog e escreve o que bem entender e só porque é auto publicável torna-se automaticamente uma notícia. 

Profissionais de toda espécie foram desacreditados e tornaram-se suspeitos naquilo que fazem, sabem e assinam, enquanto estranhos e desconhecidos atraem milhares de seguidores.

Não entendo o que leva uma pessoa a desacreditar de um profissional e seguir um aventureiro ou ainda pior, qualquer um.

Mas, pior mesmo são os que dão as "dicas" com toda a firmeza: garantem, confirmam, explicam, ensinam assuntos e procedimentos que podem prejudicar a vida de outra pessoa. Uns fazem por dinheiro, ok, criam seus sites para vender alguma coisa e então dizem qualquer coisa de forma inconsequente. Entretantos há aqueles que não estão vendendo nada, não estão em busca de seguidores, não tem e-commerce e nada pretendem: são os comentaristas. Aqueles que comentam em posts alheios.

Eu criei uma espécie de ponto de observação destes comentários: leio de tudo, em posts políticos, de saúde, de culinária, ativismos dos mais variados, economia, cursos diversos, mas principalmente dicas de viagens onde reside meu trabalho e maior ponto de interesse. É impressionante o número de pessoas que afirmam categoricamente sobre qualquer assunto relacionado ao turismo como se sua experiência fosse conclusiva a ensinar outras pessoas o que fazer. Pior: as pessoas, de um modo geral, percebo, preferem dicas de estranhos a de um profissional.

É claro que é sempre gostoso dar e receber dicas de bons restaurantes, recomendação de um bom hotel com custo/benefício atraente etc e tal. Está aí o Trip Advisor. E mesmo assim, ele mesmo elegeu o um melhor restaurante em Londres que nem ao menos existia. Porém, tudo o que é relacionado a leis, condutas, serviços profissionais entram neste bolo de forma perigosa.

Percebo que os administradores destes grupos, de tempos em tempos, colocam ordem, mas ainda assim, leitores dão preferência à polêmica e outros desrespeitam o administrador, ignoram o aviso e seguem postando experiências próprias como sendo um protocolo oficial. Lamentavelmente as pessoas preferem a seguir estes estranhos que palpitam como se fossem sumidade acadêmica no assunto ou a autoridade máxima.

Entendo, em parte, que o brasileiro, de modo geral, está cansado de ser abusado em tudo, que existe uma enorme quantidade de médicos que recomendam cirurgia para ganhar comissão de próteses e stents, que arquitetos abusam, que excursões podem ser bem chatas, que os políticos nos fizeram duvidar de tudo e de todos e por aí vai... Mesmo e ainda assim existe a pesquisa a nosso favor.

Se há informações perigosas, há também informações coerentes. O que vale mesmo é ir atrás e pesquisar diversas fontes, favoráveis e contrárias e ainda assim pesquisar a própria fonte. Sempre!


"Fui por conta própria, e garanto é mais em conta!!"

Como assim? Como pode garantir isto? Baseado em quê? A uma viagem própria e a própria pesquisa?

   "Se for só Paris, não precisa de agência, pode até atrapalhar a viagem".

Como assim pode atrapalhar? Em que sentido? E se a pessoa não sabe ou não gosta de organizar sua própria viagem? Parcelar em 10 x, ter alguém no Brasil se algo acontecer e alguém que se ocupe de suas reservas atrapalha?

"Estivem em Paris duas vezes e não me pediram seguro viagem, não precisa, é golpe de agente de viagem"

Como assim? É lei!!

Gente, pesquisem!!!! Pesquisar e pedir orçamentos ainda é grátis! 

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